A participação do Coletivo HEAG no MAR representou um dos momentos mais importantes de sua trajetória e trouxe uma proposta ousada para aquele contexto: levar a pintura de grandes empenas para dentro do projeto.
O HEAG foi o primeiro coletivo participante do MAR a apresentar uma proposta estruturada em torno da pintura de empenas. Naquele momento, trabalhar artisticamente grandes laterais de edifícios ainda não possuía dentro do programa a presença que viria a conquistar posteriormente.
Ao enxergar aquelas grandes superfícies como telas urbanas, o projeto ajudou a demonstrar outras possibilidades de escala para as intervenções do MAR.
Nos anos seguintes, propostas envolvendo empenas passaram a aparecer também em projetos de outros artistas e coletivos.
Mas a inovação artística foi apenas uma parte do desafio.
O planejamento inicial previa a realização das pinturas em uma área da FEBEM, em Taipas, tanto que o projeto enviado chama-se "Casa Viva", que faz menção a vida presente na Casa de detenção.
Durante o processo, questões relacionadas à segurança tornaram inviável a execução no local originalmente previsto.
Era uma situação capaz de comprometer todo o projeto.
O coletivo optou por fazer aquilo que considera indispensável na produção cultural: encontrar uma solução sem abandonar o compromisso assumido.
A equipe reorganizou o planejamento, articulou novas possibilidades no território e realizou a mudança dos locais de execução. A capacidade de ajustar a rota diante de um problema inesperado permitiu que o projeto seguisse adiante e fosse concluído com sucesso.
Ao final, foram realizadas quatro grandes empenas na região de Taipas, Zona Norte de São Paulo, levando arte urbana para a escala da própria paisagem da cidade.
O MAR mostrou que o HEAG conseguia fazer mais do que pintar grandes superfícies. Demonstrou capacidade de idealização, articulação territorial, produção, resolução de problemas e execução de projetos de grande porte.
E deixou uma convicção que permanece no coletivo: obstáculos podem exigir novos caminhos, mas não precisam mudar o destino.
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